A Revolução Francesa de 1789 foi uma das maiores do mundo contemporâneo e teve como marco inicial o aumento do preço do pão. Agora presenciamos a maior revolução popular da história do Brasil, que teve como estopim meros 20 centavos. Revoluções não são atos coordenados, planejados, mas são similares aos vulcões, furacões e tsunamis. Surgem de repente e deixam uma marca por onde passam. O vandalismo faz parte dessa marca das revoluções populares. Não estou dizendo que o vandalismo é certo. Quero dizer apenas que todas as revoluções populares que ocorreram até hoje tiveram vandalismo principalmente contra construções governamentais. Quando manifestantes vandalizas a Prefeitura de São Paulo, o Congresso Nacional, a Assembleia Legislativa do Rio e o Palácio do Itamaraty, eles estão procurando atingir de alguma forma o governo. Repito, não estou dizendo que é certo, mas é isso faz parte do processo.
A dificuldade para controlar essa onda de protestos que tomou mais de 200 cidades não mostra o despreparo da polícia, mas sim o completo de despreparo dos políticos que conduzem o país. Pagamos os impostos mais caros do planeta, sustentamos os políticos mais caros do mundo e eles não tem ideia do que causou essa revolução. Não tem nem ideia do que dizer ao povo em um momento tão critico da historia do país.
A presidente se manifestou por meio de um pronunciamento construído com seus ministros e assessores, mas quem está acompanhando de perto todo esse processo sabe que pouca coisa se aproveita desse discurso. Porque só agora vai ser realizado um plano de mobilidade nacional? E o PAC de mobilidade das cidades, onde foi parar o dinheiro? E as diversas obras iniciadas nas grandes cidades (metro, trem-bala, VLT, etc.) que ainda não foram terminadas? A presidente conseguiu desagradar a todos os 370000 médicos ao dizer que vai importar profissionais de medicina. Mas não é apenas esse o problema. Em quais hospitais eles vão trabalhar? Sob quais condições? E as condições de trabalho dos médicos brasileiros, como é que fica? Houve ainda a promessa da integralidade dos royalties para a educação. É pouco, muito pouco. O Brasil possui um dos piores índices educacionais do planeta, a qualidade da educação brasileira está entre as piores do mundo. Como vai ser aplicado esse dinheiro? Ele é suficiente pra mudar a qualidade educacional do país? Há algum plano nacional de educação similar ao que os países desenvolvidos fizeram há muito tempo?
A parte mais preocupante foi quanto ao financiamento publico da Copa do Mundo. Apesar do que foi dito no pronunciamento, é de conhecimento publico de que quem está bancando essa Copa de 2014 somos todos nós. O estádio Mané Garrincha de Brasília, alcançou a marca R$ 1,8 bilhão de gasto publico, o segundo estádio mais caro da historia. A Copa do Brasil já é mais cara do que as ultimas 3 copas juntas e vai proporcionar a FIFA um lucro de R$ 4 bilhões. Ou seja, eu e você estamos dando nosso dinheiro pra FIFA e pra outras pessoas que estão se beneficiando com o altíssimo custo da Copa do Mundo.
Não tem como reduzir todas essas manifestações a uma mera lista de coisas que devem ser feitas, é muita coisa errada, muita coisa que tem que mudar. Por isso a revolução está acontecendo dessa forma. O papel de apresentar os planos de mudança não é dos protestantes, mas sim dos políticos, que são muito bem pagos por todos nós pra isso. É deles a função de apresentar soluções para os problemas do País, foi para isso que foram eleitos e é por isso que o povo cobra, e continuará cobrando, independentemente de meras promessas que sejam feitas.
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